via velada (11)

chamei-me homem, abutre, e comi teus olhos para que visses meu rosto. agora me vejo mudo, abraçado em minha escassez: poeta. e me sei teu violentador.

via velada (10)

e não te desejo morta: desejo, sim, num cerco de temores, na impossibilidade da palavra. e se te digo “calma, calma, pequena”, quero que grites teus dentes.

via velada (9)

e se te pego pelos cabelos quero que gozes a parede / eu te enfie por tua cara gemidos amor / por um homem / não sou amor / não sou parede tua / sou teu gozo

via velada (7)

infundado vazio / exiges o pulso – concreto arame e viga. não canta e se esvazia na falta de vozes. dizer vazio é nomear o intangível / acariciar leões / mitigar ferocidades de lebres.

via velada (5)

tivera que ensinar ao homem, nunca sentira boca tão molhada. excitado e nervoso a língua e gemidos gozado a correria perdia-se: devo ser de fato profissional.

via velada (6)

o fastio as pedras a mulher revida inerte: é pesado, o solo de casa. pensa só e adeus ao filho ao país ao calor / o homem arremessa mortes em ares de deuses.

via velada (4)

a menina chupa o picolé / de um morango rosado / língua da base ao topo / abocanha com vontade / e se escorrem gotas não as perde / lambe precisa.